Documentos apontam envolvimento de Serra na máfia das ambulâncias
Na última quinta feira, os empresários Darci Vedoin e seu filho Antonio Luiz, donos do grupo empresarial Planam - flagrado pela Polícia Federal em um esquema de compras superfaturadas de ambulâncias, entregaram à defensoria pública documentos que sugerem a participação dos ex-ministros da saúde Jose Serra e seu sucessor Barjas Negri na máfia das ambulâncias.
Os documentos entregues no último dia 14 incluem extratos bancários referentes a depósitos feitos pelo grupo Planam, relação de emendas feitas no Orçamento da União, cópias de cheques emitidos pela Klass - uma das companhias do grupo, dentre outros. As informações contidas neste acervo mostram a facilidade com que a verba era aprovada para a compra das ambulâncias. Em um oficio datado de 13 de dezembro de 2001, o então secretário executivo Barjas Negri recorre, por determinação do senhor ministro Jose Serra, ao Fundo Nacional de Saúde com um pedido de elaboração de um convênio para liberar recursos referentes à compra das ambulâncias.
A apresentação de tais documentos fez surgir um novo nome no caso investigado pela CPI dos Sanguessugas. Trata-se de Abel Pereira, empresário do ramo de construção civil em Piracicaba, SP. Segundo Darci Vedoim, Abel agia em nome do próprio ministro Barjas Negri, quando o mesmo assumiu o ministério após a saída de Serra em 2002. Os cheques emitidos pela Klass eram entregues diretamente a Abel, que passou a ser o responsável pela liberação dos recursos, mesmo não tendo nenhum cargo político. Ainda de acordo com Darci, era o empresário Abel Pereira quem indicava as contas que deveriam ser depositadas o orçamento liberado pelo ministério.
A família Vedoin afirma que o período de gestão do PSDB facilitou muito o esquema administrado pelos empresários. Os parlamentares tucanos aprovavam as licitações com tamanha velocidade que várias ambulâncias foram entregues antes mesmo do dinheiro ser liberado. Os documentos provam que entre 2000 e 2004 foram comercializadas pela Planan 891 ambulâncias.
CPI dos Sanguessugas
A Comissão Parlamentar de Inquérito investiga a quadrilha desmontada em maio pela Polícia Federal que fraudava a venda de ambulâncias para municípios de diversos estados do país. O esquema, iniciado em 1998, era administrado pela família Trevisan Vedoin, dono do grupo de empresas Planan. O chefe da família, Jose Darci Vedoin, sugeria um acordo com prefeitos interessados na compra de ambulâncias sem as complicações burocráticas convencionais. Com o consentimento do prefeito, Darci Vedoin acionava seus contatos parlamentares que apresentavam emendas a deputados e senadores que aprovavam com maior velocidade a liberação da verba. A Planan entrava com a montagem das ambulâncias, que nem sempre eram adaptadas para atendimentos emergenciais de grande porte. Os parlamentares ficavam em média com 10% do valor direcionado ao grupo empresarial. Após passarem 80 dias presos, Jose Darci Vedoin e seu filho Luiz Antonio Vedoin, foram agraciados pela Delação Premiada, benefício previsto no Código Penal Brasileiro desde 1995. Através de um acordo feito com a Justiça Federal, os Vedoin foram liberados mediante a colaboração nas investigações de propinas pagas a deputados federais e senadores. Além de apresentarem provas de tais “molhaduras”, pai e filho devem, também, delatar cada detalhe do esquema da máfia das ambulâncias.
Thiago Fraiz
terça-feira, 5 de junho de 2007
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